Estou de pé na casa de banho para pessoas com mobilidade reduzida de um clube de golfe incrivelmente pretensioso, a segurar uma fralda cheia numa mão e a desfazer meia bolacha de manteiga na outra. Algures para lá da porta de mogno, um quarteto de cordas toca Ed Sheeran com uma energia agressiva, e a minha mulher deve estar, neste momento, a lutar com a nossa outra filha de dois anos para a afastar do bolo de casamento. A criança que ocupa atualmente o fraldário (a Florence, creio eu, embora a luz seja péssima e a minha privação de sono seja severa) tem vestido um daqueles vestidos com franzidos, bordado à mão e dolorosamente tradicional, que custou mais do que o meu primeiro carro. E, para ajudar à festa, está coberta de algo que eu rezo para que seja apenas cobertura de chocolate.

Foi neste momento que percebi que não tinha percebido nada sobre roupa de cerimónia para bebés. Durante meses, resmunguei contra a ideia de enfiar as meninas em roupas que as fazem parecer bonecas de porcelana do século XIX, argumentando que uma criança que come mãos-cheias de terra no parque não tem nada que vestir peças com bordados complexos. Mas, enquanto limpava freneticamente o bolo do peito da Florence com uma toalha de papel húmida, o tecido fez algo de miraculoso. Simplesmente esticou, aguentou o impacto e voltou ao sítio como uma corda de bungee jumping minúscula e elegante.
O grande incidente do casamento do verão passado
Se alguma vez tentaram enfiar uma criança pequena, e zangada, num vestido de linho engomado, sabem que é mais ou menos como tentar vestir uma fronha num texugo. Elas ficam rígidas. Arqueiam as costas. Gritam com uma intensidade tão visceral que faz os vizinhos ponderarem chamar a segurança social. Mas este vestido em particular era diferente, porque toda a zona do peito era basicamente um elastano da antiguidade.
A minha mulher, que tem muito mais bom gosto do que eu, tinha feito questão de que elas levassem estes conjuntos para o casamento da minha irmã. Passou a manhã a tentar pôr um relógio Casio Baby G em miniatura na Matilda como acessório (o que correu tão bem como estão a imaginar), antes de conseguir enfiar ambas as meninas nestas criações volumosas em tons pastel. Eu fiquei só a observar, convencido de que elas iam estar super desconfortáveis. Estava redondamente enganado, um estado de espírito ao qual me estou a habituar bastante desde que fui pai de gémeas.
Como o tecido é pregueado e franzido antes de ser bordado, expande-se imenso quando a bebé respira, come ou tenta saltar por cima das costas dos bancos da igreja. Afinal, as mulheres da Idade Média sabiam o que faziam quando inventaram esta técnica. Não havia Lycra, por isso dobravam o algodão cem vezes e cosiam tudo com linha para dar elasticidade. É, com toda a franqueza, uma brilhante obra de engenharia disfarçada de roupinha chique para bebé.
O que o médico murmurou sobre a respiração
Sempre presumi que os bebés, pura e simplesmente, odiavam roupa porque preferiam ser uns pequenos anarquistas nudistas. Contudo, o nosso médico de família, o Dr. Evans, deu-me uma perspetiva ligeiramente diferente numa consulta de rotina. Estava a olhar para a Matilda, que levava um casaco de ganga muito na moda, mas incrivelmente rígido, suspirou e apontou-lhe para o peito.
Disse-me, com aquele tom perfeitamente condescendente reservado aos médicos do SNS quando lidam com pais exaustos, que os bebés têm caixas torácicas relativamente moles e dependem imenso do diafragma para respirar. Se os fechamos em tecidos rígidos sem qualquer elasticidade, têm literalmente de fazer mais esforço para respirar fundo, sobretudo depois de se empanturrarem com banana esmagada ou de terem um ataque de choro por causa da colher ser da cor errada.
Tenho quase a certeza de que a mecânica por trás disto significa que os tecidos elásticos no peito permitem que os seus pequenos pulmões se expandam corretamente, se bem que o meu domínio sobre funções respiratórias pediátricas se baseie, na sua maioria, em pesquisas frenéticas no Google de madrugada. O que eu sei é que quando as meninas usam aqueles corpetes bordados e elásticos, parecem muito menos propensas a ficar roxas de cada vez que fazem uma birra.
A verdadeira ameaça das linhas soltas no interior
Mas agora preciso de falar do lado negro destas peças tradicionais: o terror absoluto do que se esconde no interior do corpete. Se comprarem um modelo barato numa loja convencional, virem-no do avesso. Vá lá, façam isso.

Parece uma teia de aranha em Technicolor. Existem dezenas de fios de bordado soltos a cruzar o interior, à espera de prender um dedinho, um botão solto ou, pior ainda, de se enrolarem no dedo irrequieto de um pé de bebé. Uma vez, o nosso enfermeiro falou-me da síndrome do torniquete de cabelo — quando um fio de cabelo ou linha perdida se enrola num membro e corta a circulação — e garanto-vos que isso alterou fundamentalmente a minha química cerebral.
Hoje em dia, inspeciono o interior de cada peça de roupa das bebés como um inspetor alfandegário paranoico à procura de contrabando. Se o bordado não tiver um forro com um painel liso de algodão (o que a minha sogra chama de "tecido de proteção"), recuso-me a vesti-las. Não vou arriscar uma ida às urgências só porque um nó francês cor-de-rosa mal rematado decidiu amputar o polegar da minha filha.
Quanto a saber se as meias combinam perfeitamente com os debruados da gola, isso não me aquece nem me arrefece.
A minha abordagem à confeção camponesa histórica
O segredo para sobreviver a estes conjuntos é perceber que o vestido em si é apenas uma capa decorativa. O verdadeiro trabalho é feito pelas camadas base, e é aí que precisam mesmo de gastar dinheiro em bons tecidos.
Como o clássico vestido estilo "bispo" é basicamente uma tenda colada a um decote elástico, as cavas costumam ser enormes. Se não puserem nada por baixo, o vosso bebé vai ficar com as axilas geladas. A minha peça favorita de sempre para pôr debaixo destes vestidos é o Body de Bebé de Manga com Folhos em Algodão Biológico. O pequeno folho no ombro sobressai de forma amorosa, e o algodão biológico significa que a pele das bebés não fica a roçar no linho do vestido, que por vezes é um pouco engomado. Para ser perfeitamente honesto, as molas nas virilhas podem ser um pouco difíceis de apertar quando operamos com apenas duas horas de sono, mas a peça mantém a sua forma na perfeição mesmo após as lavagens.
Além disso, têm de aceitar a realidade da mobilidade. Se a vossa bebé estiver a gatinhar, um vestido comprido vai tornar-se num perigo de tropeções. Se já andar, vai passar 90% do tempo a dobrar-se para apanhar folhas mortas, mostrando assim a fralda a todo o código postal.
É por isso que combinamos sempre estes vestidos com os Calções de Bebé Confortáveis de Estilo Retro Canelado em Algodão Biológico. Sei que pôr uns calções de estilo desportivo debaixo de um vestido de seda franzido parece um crime na moda, mas o algodão canelado não sai do sítio e eu prefiro que elas estejam confortáveis a ter de me preocupar com a pureza da estética vitoriana. Além disso, esticam maravilhosamente bem sobre fraldas reutilizáveis mais volumosas.
Se estão fartos de roupa que encolhe três tamanhos mal olha para uma máquina de lavar, deem uma vista de olhos na coleção de roupa biológica para bebé para encontrarem camadas base que sobrevivem genuinamente à fase dos primeiros passos.
Lavar coisas que custam mais do que as compras da semana
A primeira vez que um destes vestidos ficou coberto de puré de cenoura, ponderei simplesmente atirá-lo para o lixo e dizer à minha mulher que tinha sido roubado por uma raposa. A etiqueta de cuidados de lavagem parecia um feitiço do Necronomicon, a exigir lavagem à mão com água de nascente alpina e secagem numa superfície plana feita com penas de cisne.

Com o tempo, descobri que se apenas atirarmos o vestido para dentro de um saco de lavagem de rede, o lavarmos a frio num ciclo para roupa delicada com detergente suave e o pendurarmos nas costas de uma cadeira de jantar para secar, normalmente fica impecável. Só não o metam na máquina de secar, a menos que queiram encolher as pregas para sempre e transformá-lo num bloco rígido de algodão estragado.
Quando chega o inverno e as mangas curtas já não dão conta do recado, troco a camada base pelo Body de Bebé de Inverno Henley de Manga Comprida em Algodão Biológico. É uma camada de base sólida e quente, embora admita que os minúsculos botões Henley sejam frustrantemente pequenos para os meus polegares estupidamente grandes. Mesmo assim, o tecido é absurdamente macio e mantém-nas quentinhas sem lhes acrescentar aquele volume que as faz parecer que levam um colete salva-vidas debaixo do vestido.
A verdade sobre a transição de tamanhos
Aqui está o melhor truque sobre estes conjuntos elásticos e franzidos: recusam-se a deixar de servir. Como não existe uma linha de cintura fixa e o peito expande até, mais ou menos, o tamanho de uma melancia, uma peça que começa a sua vida como um vestido de cerimónia pelo meio da perna aos seis meses, tornar-se-á num simples vestido pelos joelhos aos doze meses, e numa adorável túnica usada por cima de leggings aos dois anos.
Tenho uma pilha de t-shirts normais de algodão que as gémeas usaram exatamente três vezes até a cabeça ficar grande demais para passar na gola. Entretanto, a Florence continua a usar periodicamente um vestido franzido que a minha tia lhe comprou quando ela estava a aprender a gatinhar. É muito mais curto agora, mas a zona do peito ainda serve na perfeição.
É uma das poucas peças de roupa de bebé que combate verdadeiramente o ciclo infindável e deprimente da obsolescência programada. Pode custar uma pequena fortuna à partida, mas quando se divide esse custo por dezoito meses de utilização, acaba por fazer muito mais sentido financeiramente do que comprar um pack de seis camisolas interiores baratas que perdem a forma logo na terça-feira.
Antes de mergulharem de cabeça no mundo dos bordados tradicionais, certifiquem-se de que têm as camadas interiores biológicas certas para usar por baixo, porque ninguém quer uma criança pequena a coçar-se a meio de um copo d'água.
Coisas que provavelmente querem saber mas estão demasiado cansados para ir ao Google
Estes vestidos irritam a pele com eczema?
Se o vestido em si for de linho sem forro ou tiver fios expostos, sim, sem dúvida que vai fazer ferida ao roçar. É por isso que nós usamos sempre um body de algodão biológico de manga comprida por baixo. O meu médico aconselhou-nos a criar uma barreira respirável entre o tecido mais pomposo e a pele, e até agora, foi a única coisa que impediu a Matilda de se coçar até ficar vermelha.
Os bebés podem mesmo dormir com isto vestido?
Quer dizer, até podiam deixá-los dormir assim se estivessem desesperados e se tivessem esquecido do pijama, mas eu não o faria. Aquelas pregas e botões nas costas vão cravar-se na coluna deles ao estarem deitados. Dispam a criança, atirem a roupa para cima de uma cadeira, e vistam-lhes algo mais suave.
Como se tiram nódoas de Ben-u-ron do bordado?
Basicamente, entram em pânico. Descobri que aplicar pequenas gotas de água fria e uma pinguinha de detergente da loiça imediatamente sobre a nódoa cor-de-rosa e pegajosa é a melhor hipótese. Não esfreguem com uma escova, ou vão arrancar o fio delicado diretamente do algodão e estragar tudo.
Será que valem mesmo aquele preço absurdo?
Se é para comprar só para uma sessão de fotos, não. Se é porque percebem que lhes vai servir durante o próximo ano e meio, passando de um vestido a uma camisola enquanto se estica sobre a barriga pós-almoço? Sim. Apenas não os deixem chegar perto da fonte de chocolate.





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