Íamos algures na autoestrada entre Waco e Austin quando o cheiro nos atingiu. O meu filho do meio, que tinha uns quatro meses na altura, soltou um som do banco de trás que só consigo descrever como o de um sapo gigante a pisar um Lego. Quando finalmente consegui encostar o carro na berma de gravilha e abrir a porta de trás, já não havia salvação. Estava por todo o lado. Pelas costas acima, pelas pernas abaixo, a transbordar pelo cinto de cinco pontos e a ameaçar seriamente os estofos. Lembro-me de ficar ali parada na berma da autoestrada, com um camião a passar a abrir e a despentear-me, a olhar para aquela papa amarela fluorescente e a pensar: Ninguém me preparou para esta quantidade absurda.
Se é mãe ou pai de primeira viagem e está a ler isto enquanto segura numa fralda suja à distância do braço esticado, a tentar perceber se aquele tom de verde é uma emergência médica, eu compreendo-o perfeitamente. Vou ser muito sincera consigo: os bebés são nojentos. Amo os meus três pequenos humanos mais do que amo respirar, mas valha-me Deus, as coisas que saem de dentro deles desafiam todas as leis da física e da biologia. Antes de ter filhos, eu era professora primária, por isso achava que percebia de germes. Não percebia nada.
Quando trazemos um recém-nascido para casa, passamos uma quantidade de tempo nada saudável a obcecar com as suas funções corporais porque, convenhamos, eles não nos conseguem dizer o que está mal. Estamos a navegar às cegas, a tentar decifrar o conteúdo de uma fralda como se fosse um tabuleiro de Ouija húmido e horrível.
Aquela primeira semana: autêntico alcatrão
Vamos começar pela fase do mecónio, porque este é o primeiro grande choque da maternidade. A minha mãe disse-me que as primeiras fraldas seriam escuras, mas ela minimizou imenso a situação. Quando o meu filho mais velho nasceu, abri-lhe a fralda no segundo dia e encontrei algo que se parecia exatamente com alcatrão preto para telhados. Era preto, pegajoso e completamente imune às toalhitas normais de bebé.
Lembro-me de escrever freneticamente "cocó preto pegajoso bebe" no telemóvel com um polegar enquanto tentava segurar os tornozelos dele para cima com a outra mão, absolutamente convencida de que os órgãos dele estavam a falhar. Afinal, é apenas todo o líquido amniótico, células da pele e tudo o resto que eles engoliram enquanto andaram a flutuar no útero durante nove meses. É preciso quase meio pacote de toalhitas para limpar aquilo tudo. Dica de profissional (baseada na minha própria e dolorosa experiência): ponha um pouco de óleo de coco ou pomada protetora no rabinho limpo antes que venha o próximo, e aquilo vai limpar-se como se fosse manteiga em vez de cola industrial.
Assim que passar a fase do alcatrão, se estiver a amamentar, a coisa passa para uma textura estranha, líquida e com grânulos que parece exatamente que alguém misturou mostarda de Dijon com queijo fresco. Se estiverem a beber leite adaptado, costuma ser um pouco mais espesso e cheira muito pior, algo parecido com manteiga de amendoim estragada. Ambos são normais, por isso ignore e siga em frente com a sua vida.
O grande pânico da fralda verde de 2019
Agora tenho de falar sobre o cocó verde, porque este é aquele que manda qualquer mãe millennial direta para as urgências, e eu não fui exceção. Com o meu mais velho — o meu lindo e dramático conto de fadas do primeiro filho —, estava a mudá-lo no chão do meu escritório enquanto tentava embalar umas encomendas, e de repente vi. Espumoso, brilhante e de um verde que parecia sangue de alienígena.
Passei-me completamente. Meti-o no carro, acelerei para o pediatra e sentei-me na sala de espera a chorar, certa de que ele tinha apanhado um qualquer parasita intestinal raro. O Dr. Evans, que Deus o abençoe, conhece-me desde que eu era adolescente. Olhou para a fralda, olhou para a minha cara banhada em lágrimas e suspirou.
Fez um desenho extremamente confuso no papel que cobria a marquesa, a explicar qualquer coisa sobre a bílis no fígado ser naturalmente verde, mas que à medida que os alimentos se movem pelo trato digestivo ficam amarelos e depois castanhos, por isso, se a digestão do bebé for muito rápida, salta a mudança de cor e sai verde. Ou talvez a bílis seja amarela e fique verde? Sinceramente, eu andava a dormir quatro horas por noite e a sobreviver à base de bolachas velhas, mas a ideia principal que retive foi: verde significa apenas rápido.
Às vezes é das gotas de ferro, às vezes é dos legumes verdes se já tiverem começado a diversificação alimentar, e às vezes simplesmente digeriram o leite à velocidade da luz. Mas a menos que venha acompanhado de febre ou que o bebé pareça apático, o verde é total e teimosamente normal.
Cores que realmente significam alguma coisa
Oiçam bem, em vez de guardarem uma autêntica roda de cores no telemóvel para comparar a "produção" do vosso filho a amostras de tinta, e de chorarem sobre roupas arruinadas, lembrem-se apenas que a não ser que vejam cocó fantasma cor de giz branco ou estrias vermelhas brilhantes que definitivamente não vieram de um puré de beterraba, provavelmente está tudo perfeitamente bem.

Branco ou cinzento-pálido é mau. O Dr. Evans disse-me que isso significa que o fígado não está a fazer o seu trabalho e que têm de ir ao médico imediatamente. Vermelho também é assustador, mas aprendi da pior forma que devemos verificar primeiro o que comeram. Quando o meu mais velho tinha dez meses, comeu uma caixa inteira de mirtilos em casa da minha avó. No dia seguinte, a fralda dele parecia estar cheia de gravilha preta e azul-avermelhada escura. Quase desmaiei. O mesmo se aplica à batata-doce (laranja néon) e à beterraba (parece a cena de um crime). Se não lhes deram a comer o arco-íris e virem muco ou estrias vermelhas, liguem para o médico. Caso contrário, atribuam as culpas ao seu paladar aventureiro.
O grande engano dos grunhidos
Por volta da terceira ou quarta semana da minha filha mais nova, ela começou a ficar vermelha que nem um tomate, a puxar os joelhos para cima e a grunhir como uma minúscula e furiosa halterofilista. Fazia força durante vinte minutos seguidos só para largar o cocó mais pequeno e mole que já viram. Uma tarde, a minha avó estava lá em casa, viu isto a acontecer e começou imediatamente a vasculhar a minha despensa à procura de xarope de milho. "Esta bebé linda está obstipada", declarou, totalmente preparada para dar xarope à minha recém-nascida como se estivéssemos em 1985.
Tive de bloquear fisicamente a porta da despensa. Tinha acabado de falar com o pediatra sobre isto. Chama-se disquesia infantil, que é um termo médico chique para "o seu bebé tem zero força abdominal".
Pensem bem: eles estão deitados de costas. Ainda não têm músculos abdominais. Estão a tentar empurrar o cocó para fora do corpo usando apenas o diafragma, enquanto fecham simultaneamente o esfíncter porque ainda não aprenderam a relaxar e a fazer força ao mesmo tempo. Não estão obstipados. Estão apenas descoordernados. A verdadeira obstipação prende-se com a textura, não com a frequência. Se o cocó parecerem as bolinhas duras e secas de um coelho, estão obstipados. Se grunhirem durante uma hora e depois produzirem uma mole explosão de mostarda, estão apenas a tentar perceber como funcionam a gravidade e os músculos.
Equipamento de sobrevivência para a zona de impacto
Quando lidamos com três crianças com menos de cinco anos, descobrimos rapidamente quais os produtos em que realmente vale a pena gastar o nosso suado dinheiro e o que é apenas lixo estético do Instagram. Ter filhos é caro, e eu não estou para deitar dinheiro à rua com coisas que não sobrevivem ao contacto com fluidos corporais reais.

No que toca a roupas, sou obcecada pelo Macacão de Bebé em Algodão Orgânico com Pés e Bolsos Frontais da Kianao. Vou ser completamente honesta: a razão pela qual adoro isto não é apenas porque o algodão orgânico é macio (embora seja maravilhoso). Adoro-o devido aos botões em toda a parte da frente. Quando a explosão do vosso filho chega até às omoplatas, não podem puxar um body normal pela cabeça, a não ser que queiram pintar-lhe o cabelo com fezes. Têm de o enrolar e tirar para baixo pelo corpo. Este macacão com botões à frente significa que posso simplesmente abrir os botões, afastá-lo da zona de impacto e conter a sujidade. Além disso, lava-se mesmo bem. Já esfreguei o Azul Índigo com detergente da loiça no lavatório de uma estação de serviço e ele manteve perfeitamente a sua forma.
Por outro lado, também temos a Manta de Bebé em Algodão Orgânico Ouriços de Outono. É... boazinha. Custa à volta de 40 euros, é orgânica e os ouriços são fofos. Mas tem um fundo amarelo-mostarda, a minha mais nova bolsou leite materno em cima dela e depois arrastou-a por uma poça de lama no nosso alpendre. Devido à cor e ao padrão, nunca consigo perceber se as manchas amarelas fazem parte do desenho ou se são restos do almoço da semana passada. É apenas satisfatória. Uso-a como recurso de emergência.
Mas a Manta de Bebé de Bambu Raposa? Essa é o meu Santo Graal. O bambu é naturalmente antimicrobiano e hipoalergénico, o que parece conversa de marketing até o vosso filho estar na fase dos dentes, o seu cocó se transformar em puro ácido líquido e a assadura da fralda ficar tão grave que eles gritam só de lhes tocarem. Eu estendo esta manta de bambu por cima do meu fraldário porque é inacreditavelmente macia para a pele irritada deles, e quando as coisas correm mal (literalmente), atiro-a simplesmente para a máquina de lavar. É incrivelmente resistente. Já a lavei cem vezes e continua mais macia do que os meus próprios lençóis.
Se precisa de reabastecer o quarto do seu bebé com coisas que conseguem realmente sobreviver às trincheiras da digestão infantil, espreite a coleção de mantas de bebé orgânicas da Kianao aqui.
Quando a coisa fica líquida
Tenho de mencionar a diarreia, porque ela é muito sorrateira. O cocó do bebé amamentado já é por si líquido, por isso tentar perceber se têm diarreia é como tentar perceber se a água está molhada. Mas quando o meu filho do meio apanhou uma virose estomacal no infantário da igreja, eu percebi logo. Começou a acontecer 12 vezes por dia, encharcava completamente a fralda como se fosse água e o cheiro era terrível.
A desidratação é o verdadeiro inimigo aqui. O meu médico explicou-me os sinais a que devia estar atenta, que basicamente se resumem a: ausência de lágrimas quando choram, boca seca e pegajosa e a fontanela (aquela parte molinha no topo da cabeça) a parecer afundada. Se repararem nisto, não hesitem, vão logo ao médico.
Além disso, se tiverem de tomar antibióticos devido a uma otite, preparem-se. Os antibióticos arrasam com as bactérias boas do intestino, e isso quase sempre resulta em explosões ácidas e horríveis. De forma preventiva, barrem o rabinho do bebé com um creme barreira de zinco espesso antes de cada muda de fralda. Não fiquem à espera que a assadura apareça.
Honestamente, vão limpar coisas que nunca imaginaram. Vai ficar-vos debaixo das unhas. Vão olhar o vosso parceiro nos olhos às 3 da manhã enquanto lavam o colchão do berço à mangueirada no quintal. É horrível, é uma confusão, mas sinceramente passa tão depressa. Quando derem por isso, serão criancinhas a discutir convosco por causa dos nuggets de frango em forma de dinossauro e vão ter saudades dos dias em que a dieta deles era só leite e os problemas cabiam todos numa única fralda.
Precisa de peças que se lavem facilmente, sejam suaves para a pele sensível e fiquem fofas mesmo depois da terceira muda de roupa do dia? Espreite a nossa coleção de roupa de bebé orgânica para construir um guarda-roupa à prova de explosões.
Perguntas que já pesquisei freneticamente no Google às 3 da manhã
Porque é que o meu bebé grunhe como um minúsculo lenhador, mas não acontece nada?
Porque não têm força abdominal! A sério, chama-se disquesia infantil. Estar deitado de barriga para cima torna super difícil fazer força, e os bebés ainda não perceberam como coordenar os músculos da barriga com o esfíncter. Se grunhirem e ficarem roxos, mas o cocó final for mole, não estão obstipados. Guardem lá o xarope.
Quantos dias sem fazer cocó são considerados uma crise?
Sinceramente, depende do bebé. Os bebés amamentados processam o leite de forma tão eficiente que, por vezes, simplesmente não sobram resíduos. O meu mais velho chegou a ficar uma semana sem fazer cocó, e o meu pediatra disse-me que desde que a barriguinha dele não estivesse dura e ele se comportasse de forma normal, estava tudo bem. Os bebés alimentados com leite adaptado costumam fazer com mais frequência. Mais uma vez, preocupem-se com a textura (bolinhas duras e secas) e não com o calendário.
O nascimento dos dentes provoca mesmo diarreia?
Os médicos juram a pés juntos que o nascimento dos dentes não causa diarreia. Mas, como mãe de três, estou aqui para vos dizer que estão a mentir. Sempre que nascia um dente a um dos meus filhos, eles engoliam baldes de excesso de baba, o que lhes dava a volta à barriga e provocava-lhes fezes moles, ácidas, desagradáveis e que causavam assaduras. Barrem o creme barreira logo que virem um dentinho a despontar.
Qual é a melhor forma de tirar as nódoas da roupa do bebé?
Enxaguem imediatamente com água fria gelada — a água quente coze a nódoa e fixa-a. Esfreguem com um bocadinho de detergente da loiça ou um tira-nódoas, e depois deixem a peça exposta à luz do sol direta durante algumas horas. O sol é um agente de branqueamento natural e mágico. Se a nódoa mesmo assim não sair, parabéns, esse body passa oficialmente a ser pijama.
É normal o cocó cheirar mesmo a vinagre?
Geralmente, sim. Se forem exclusivamente amamentados, pode cheirar a algo estranhamente doce, azedo ou a vinagre, dependendo do que a mãe tiver comido. Se tiverem acabado de iniciar a alimentação sólida, vai cheirar àquilo que comeram, mas fermentado. Se tiver um odor fétido que vos provoque vómitos e for extremamente aquoso, então aí poderão estar perante uma virose estomacal ou uma alergia.





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